“Fotografada por Cássia Tabatini, Ode que também fez o styling do ensaio e seus amigos são adornados por rosas de papel e elevados a seres divinos por meio de símbolos religiosos e sagrados que conectam o Brasil e os países latino-americanos do Sul Global com os do Norte Global. É um estudo, acrescenta ela, das iconografias brasileiras que desafiam as percepções ocidentais, que tendem a ignorar o Sul Global como parte da vida latino-americana.
A Rose and A Prayer foi fotografado na cidade de Guarulhos, no sudeste de São Paulo. Ela representa um cruzamento de duas histórias a área desenvolvida perto do centro da cidade e as vielas que levam a uma favela. “O que um ser divino está fazendo ali, em frente àquelas cortinas baratas? O que os seres divinos podem ter a ver com paredes descascadas e mofadas? E com pisos sujos e objetos como pinturas e imagens religiosas deterioradas?”, pergunta Ode. “Crianças latinas, especialmente também negras e queer como nós, por um longo e inocente período, vivem estigmatizadas, mas dentro de nossas casas, podemos ser divinos.” Esses seres estão entre nós – basta apenas ousarmos reimaginá-los.
Como travesti preta (que significa trans na América Latina), Ode enfrenta a triste realidade de que mais pessoas trans são mortas no Brasil do que em qualquer outro país, ao mesmo tempo em que luta contra uma guerra racial contínua. Ela diz: “Para mim, não faltam nós a desatar, águas a serem transformadas em vinho, milagres a operar e mares a se abrir para que eu possa andar sobre as águas ritos e passagens para que eu possa viver em abundância”. Quando ela aparece nas fotografias, diz que é “sobre minha história e como eu exorcizo fantasmas e os transformo em poesia”.
Ashleigh Kane para Dazed












